Informações falsas ganham as redes sociais e a internet

A internet e as redes sociais criaram oportunidades novas para as operações de informação (Foto: Pixabay)

Não existe nada de novo nas discussões sobre notícias falsas ou campanhas de desinformação da Rússia. Em 1983, no auge da Guerra Fria, uma história extraordinária foi publicada no jornal Patriot, uma obscura publicação pró-soviética. O artigo dizia que o governo dos Estados Unidos havia criado o vírus da Aids como uma arma biológica e pretendia exportá-lo para outros países, sobretudo para os países em desenvolvimento, como uma forma de controlá-los. A história reapareceu em diversas publicações importantes em mais de 50 países.

Em fevereiro do ano passado, logo após as revelações sobre a interferência russa nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, mas antes da divulgação de seu impacto no Facebook, Twitter e no Google, o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, declarou que havia criado unidades especiais no exército russo destinadas a fazer uma guerra de informação na mídia. Uma semana antes, o general Petr Pavel, presidente do Comitê Militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), revelou que um relatório sobre estupros de mulheres na Lituânia por soldados alemães fora inventado pela Rússia.

A internet e as redes sociais criaram oportunidades novas para as operações de informação (IO), que usam as mensagens como armas para influenciar usuários de redes sociais, que leem apenas notícias e opiniões que confirmam suas ideias, sem que haja possíveis controvérsias.

Segundo o Facebook, durante e depois das eleições presidenciais americanas em 2016, a Internet Research Agency, um site russo que divulga mensagens nas redes sociais, em grupos de discussão e sites de notícias foi responsável pela publicação de cerca de 120 páginas falsas e 80 mil postagens recebidas por 29 milhões de americanos. Por meio do compartilhamento de informações, o número chegou a quase 150 milhões de usuários da web, ou aproximadamente dois terços do eleitorado americano.

A guerra de informação não se limita à Rússia. Os radicais jihadistas usam a divulgação de informações falsas para recrutar novos combatentes. E, apesar do combate das redes sociais à divulgação de notícias falsas, as técnicas russas de manipulação da opinião pública se adaptam com facilidade ao novo ambiente digital. Segundo Rand Waltzman, um antigo gerente de projetos da Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA) dos EUA, “quando os russos percebem que há pontos vulneráveis em suas técnicas de IO, logo iniciam uma nova guerra de informação”.

No futuro, o avanço da inteligência artificial dificultará ainda mais a distinção entre as informações falsas e verdadeiras divulgadas nos meios digitais. Os sites oficiais e as redes sociais ficarão mais vulneráveis à ação dos hackers e à exposição a conflitos. É preciso unir forças em um projeto comum para lutar contra a era pós-verdade em que a sociedade prefere os boatos aos fatos.

 

Fonte:

Informações falsas ganham as redes sociais e a internet

https://www.economist.com/news/special-report/21735479-power-fake-news-and-undue-influence-waging-war-disinformation

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *